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Suplementação

Suplementos e ganho de massa: os 5 com mais estudos e o que fazem

Creatina, proteína, cafeína, beta-alanina e bicarbonato. Veja quanto cada um somou nos estudos, quais agem no músculo e quais só ajudam o treino, sem promessa.

Por Estiven Uryu
Bolsa de academia aberta sobre um banco com um pote branco sem marca de proteína, uma coqueteleira, uma toalha e tiras de levantamento, com uma mão pegando algo.
Imagem ilustrativa gerada com IA no Canva para o Estiven4Fit.
O que você vai encontrar aqui
  1. Por que este artigo não promete ganho de massa?
  2. Os 5 em uma tabela
  3. 1. Creatina: por que é o suplemento mais estudado?
  4. 2. Proteína: ajuda mesmo, ou só completa a dieta?
  5. 3. Cafeína: melhora o treino de força?
  6. 4. Beta-alanina: para que tipo de treino serve?
  7. 5. Bicarbonato de sódio: vale para musculação?
  8. Por onde começar, se for usar algum
  9. Perguntas frequentes

Dos suplementos mais estudados por quem treina, só dois mostraram efeito direto na massa muscular: creatina e proteína. Somada ao treino de força, a creatina deu em média 1,1 kg a mais de massa magra que o placebo (Delpino, 2022), e a proteína, 0,3 kg a mais de massa livre de gordura (Morton, 2018). Cafeína, beta-alanina e bicarbonato ajudam o desempenho em certos tipos de esforço, o que pode melhorar o treino, mas não constroem músculo sozinhos. Nenhum deles substitui treino e comida.

Por que este artigo não promete ganho de massa?

Porque a lei não deixa, e com razão. A Anvisa proíbe que suplementos aleguem “ganho de massa muscular”, assim como perda de peso e outros efeitos. Este texto não vende produto: ele mostra o que os estudos mediram, em média, em grupos de pessoas que treinavam. O seu resultado depende do treino, da alimentação, do sono e de características individuais.

Os 5 em uma tabela

SuplementoO que os estudos mostraramAge direto no músculo?Na lista da Anvisa?
Creatina+1,1 kg de massa magra com treino de força, em 35 estudosSimSim
Proteína+0,3 kg de massa livre de gordura e +2,5 kg no teste de força, em 49 estudosSim, se faltar proteína na dietaNão verificado nesta lista
CafeínaMelhora pequena a moderada de força, resistência e potência no treinoNãoSim
Beta-alaninaEfeito pequeno, mais claro em esforços de 30 segundos a 10 minutosNãoSim
Bicarbonato de sódioMelhora em esforços intensos de 30 segundos a 12 minutosNãoSim, como fonte de sódio

O gráfico mostra o ganho extra de massa magra, comparado ao placebo, dos dois que agem no músculo:

Médias de meta-análises: creatina, Delpino et al. (2022), 35 estudos; proteína, Morton et al. (2018), 49 estudos. Os estudos têm durações e pessoas diferentes; o gráfico mostra ordem de grandeza, não uma comparação direta.

1. Creatina: por que é o suplemento mais estudado?

Porque o efeito aparece de forma consistente. A meta-análise de Delpino e colegas (2022), com 35 estudos e 1.192 participantes, encontrou 1,1 kg a mais de massa magra quando a creatina foi somada ao treino de força, em qualquer faixa de idade. Sem treino, o efeito não apareceu. Nos homens o ganho médio foi de 1,46 kg; nas mulheres, 0,29 kg, sem diferença estatística em relação ao placebo nesse grupo.

A posição da International Society of Sports Nutrition (2017) descreve melhora de desempenho em exercícios de alta intensidade e boa segurança em pessoas saudáveis em estudos de curto e longo prazo. Quem tem doença renal ou qualquer condição de saúde precisa conversar com médico antes.

2. Proteína: ajuda mesmo, ou só completa a dieta?

Ela completa a dieta, e é aí que funciona. A meta-análise de Morton e colegas (2018), com 49 estudos e 1.863 participantes, encontrou ganho extra de 0,3 kg de massa livre de gordura e de 2,5 kg no teste de força máxima com suplemento de proteína. O ponto mais útil do estudo: acima de cerca de 1,6 g de proteína por kg de peso por dia, somando comida e suplemento, não houve ganho adicional de massa.

Ou seja, o suplemento ajuda quando a alimentação não chega lá. Se a comida já fornece proteína suficiente, o pó vira conveniência, não vantagem. Para estimar a sua faixa, use a calculadora de macros.

3. Cafeína: melhora o treino de força?

Melhora o desempenho em boa parte dos estudos. A posição da ISSN (2021) descreve efeitos pequenos a moderados em resistência muscular, velocidade de movimento, força, saltos e sprints, em pessoas treinadas e não treinadas. A resposta varia de pessoa para pessoa, e doses muito altas aumentam os efeitos colaterais sem ganho extra.

A cafeína não constrói músculo. O que ela pode fazer é permitir um treino um pouco melhor naquele dia. Ela também pode atrapalhar o sono e aumentar a ansiedade, e sono ruim prejudica a recuperação. Grávidas, pessoas com doença cardíaca, pressão alta ou ansiedade devem conversar com médico antes de usar.

Café preto fumegante numa caneca ao lado de uma bolsa de academia aberta, com um atleta amarrando o tênis ao fundo, de manhã cedo
A cafeína do café também conta. Some todas as fontes do dia, inclusive pré-treinos e bebidas energéticas. Imagem ilustrativa gerada com IA no Canva.

4. Beta-alanina: para que tipo de treino serve?

Para esforços intensos que duram de 30 segundos a 10 minutos. A meta-análise de Saunders e colegas (2017), com participação de pesquisadores da USP e 40 estudos e 1.461 participantes, encontrou efeito geral pequeno, maior em testes de capacidade nessa faixa de duração. Para séries curtas de musculação, a vantagem tende a ser pequena.

5. Bicarbonato de sódio: vale para musculação?

Vale mais para esforços intensos de 30 segundos a 12 minutos, como lutas, remo, ciclismo e corridas curtas, segundo a posição da ISSN (2021). O efeito colateral mais comum é o desconforto gastrointestinal, que fica mais frequente e intenso em doses mais altas. Como contém sódio, quem tem pressão alta ou precisa controlar o sódio deve conversar com médico antes.

Por onde começar, se for usar algum

Antes de comprar, compare o efeito médio dos estudos com o que você vai gastar por mês. Uma ordem prática:

  1. Confira se a base está feita

    Treino com volume e esforço adequados, proteína suficiente na comida e sono. Sem isso, nenhum suplemento compensa. Veja séries por semana e treino perto da falha.

  2. Comece pelo que age no músculo

    Creatina e, se a dieta não alcançar a proteína do dia, um suplemento de proteína. São os dois com efeito direto nos estudos.

  3. Deixe os de desempenho para quando fizer sentido

    Cafeína, beta-alanina e bicarbonato ajudam tipos específicos de esforço. Avalie se o seu treino é desse tipo.

  4. Leia o rótulo e confira a Anvisa

    Prefira produto com ingrediente único e quantidade declarada. Desconfie de pote que promete ganho de massa, porque essa alegação é proibida.

  5. Converse com médico ou nutricionista antes de começar

    Principalmente se você toma remédio, tem doença renal, cardíaca ou pressão alta, está grávida ou amamentando.

E antes de gastar com o que não funciona, veja os 5 suplementos que gastam seu dinheiro e entregam pouco ou nada.

Perguntas frequentes

Qual a dose de creatina? Este artigo não indica dose, porque ela depende do seu caso. Os estudos usam protocolos diferentes; um nutricionista ou médico pode orientar a quantidade e verificar se há contraindicação.

Creatina faz mal para os rins? A posição da ISSN descreve boa segurança em pessoas saudáveis nos estudos de curto e longo prazo. Quem já tem doença renal, ou fatores de risco para ela, precisa de avaliação médica antes de usar.

Whey é melhor que comida? Não necessariamente. Na meta-análise de Morton, o benefício veio de completar a proteína do dia; acima de cerca de 1,6 g/kg não houve ganho extra. Comida e suplemento contam igual na conta.

Pré-treino funciona? Na maioria, o ingrediente com mais estudo é a cafeína. A posição da ISSN cita bebidas energéticas e pré-treinos com cafeína entre as fontes que melhoraram o desempenho, mas a quantidade de cafeína varia muito entre produtos. Some todas as fontes do dia.

Mulheres podem usar creatina? Podem, e a segurança descrita nos estudos vale para pessoas saudáveis em geral. Na meta-análise de Delpino, o ganho médio de massa magra nas mulheres foi menor e não diferiu do placebo, o que não exclui benefícios de desempenho. Converse com médico ou nutricionista, principalmente na gravidez e na amamentação.

Conteúdo informativo, escrito para o público em geral. Ele não avalia o seu caso, não substitui consulta e não deve ser usado para interromper ou iniciar tratamento por conta própria.

Fontes consultadas

  1. Influence of age, sex, and type of exercise on the efficacy of creatine supplementation on lean body mass: A systematic review and meta-analysis (Delpino et al., 2022) — Nutrition
  2. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine (Kreider et al., 2017) — Journal of the International Society of Sports Nutrition
  3. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults (Morton et al., 2018) — British Journal of Sports Medicine
  4. International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance (Guest et al., 2021) — Journal of the International Society of Sports Nutrition
  5. β-alanine supplementation to improve exercise capacity and performance: a systematic review and meta-analysis (Saunders et al., 2017) — British Journal of Sports Medicine
  6. International Society of Sports Nutrition position stand: sodium bicarbonate and exercise performance (Grgic et al., 2021) — Journal of the International Society of Sports Nutrition
  7. Instrução Normativa nº 28/2018, lista de constituintes autorizados em suplementos alimentares (texto vigente, com alterações até a IN 470/2026) — Anvisa (consultada em 17/10/2026)
  8. Cuidado com a propaganda enganosa (alegações proibidas para suplementos alimentares) — Anvisa (consultada em 17/10/2026)
Estiven Uryu sorrindo de regata branca e fones de ouvido na academia, fazendo o sinal de paz.

Sobre quem escreveu

Estiven Uryu

Formado em Engenharia da Computação e estudante de Educação Física. Atleta de fisiculturismo na categoria Men's Physique Master, trabalhou com venda de suplementos e representação comercial antes de atuar com tecnologia. Escreve sobre treino, alimentação e suplementos a partir da própria experiência e dos estudos. Não é nutricionista nem médico: os textos são educativos e não substituem avaliação profissional individual.

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