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Treino e hábitos

Quantas séries por semana para ganhar músculo? O que os estudos dizem

Mais séries dão mais hipertrofia, mas com retorno decrescente, e séries longe da falha contam menos. Veja os estudos e como contar as suas séries da semana.

Por Estiven Uryu
Atleta com as mãos nos joelhos, ofegante, logo depois de uma série pesada de remada sentada, com uma prancheta com marcas de contagem na máquina atrás.
Imagem ilustrativa gerada com IA no Canva para o Estiven4Fit. Não retrata o autor.
O que você vai encontrar aqui
  1. Treinar mais te deixa maior?
  2. O que cada estudo encontrou?
  3. O que é “volume lixo”?
  4. Como contar as séries da sua semana?
  5. Então existe um número certo de séries?
  6. Como avaliar o volume do seu treino
  7. Perguntas frequentes

Mais séries por semana costumam dar mais hipertrofia, mas cada série a mais rende menos que a anterior, e séries encerradas longe da falha contam menos. Essa é a leitura conjunta das principais meta-análises sobre o tema (Schoenfeld 2017; Pelland 2025; Robinson 2024). Por isso, “treinar mais” só ajuda quando as séries são de verdade: com carga que desafia e terminadas perto do limite.

Treinar mais te deixa maior?

Te deixa maior até certo ponto, e só se as séries forem bem feitas. No meu Instagram resumi o tema como “treinar mais não te deixa maior”. Ao reler os estudos para este texto, a frase precisa de ajuste: em média, mais volume semanal acompanha mais ganho de músculo. O que os estudos não sustentam é a ideia de que qualquer série a mais vale a pena.

Os dados apontam três coisas:

  • Volume ajuda, com retorno decrescente. A meta-regressão de Pelland e colegas, com 67 estudos e 2.058 participantes, encontrou ganho de músculo crescendo com o volume semanal, mas cada acréscimo rende menos que o anterior.
  • Esforço muda o valor da série. Robinson e colegas encontraram mais hipertrofia quando as séries terminavam mais perto da falha. Para força, a proximidade da falha fez pouca diferença.
  • Frequência pesa pouco para hipertrofia. No mesmo trabalho de Pelland, treinar o músculo mais vezes por semana, com o mesmo volume, teve efeito compatível com “desprezível” para hipertrofia. Veja quantas vezes por semana treinar cada músculo.

O que cada estudo encontrou?

EstudoO que analisouResultado principalLimite
Schoenfeld, Ogborn e Krieger (2017)15 estudos, 34 gruposCada série semanal a mais se associou a +0,37 ponto percentual de ganho muscularNa divisão em menos de 5, 5 a 9 e 10 ou mais séries, a diferença foi só uma tendência (P = 0,074)
Pelland et al. (2025)67 estudos, 2.058 pessoas (79% homens, idade média de 25 anos)Hipertrofia e força sobem com o volume, com retorno decrescenteParticipantes jovens; o efeito depende de como se contam as séries indiretas
Robinson et al. (2024)Proximidade da falha, estimada em repetições na reservaMais hipertrofia quando a série termina mais perto da falhaAs repetições na reserva foram estimadas a partir das descrições dos estudos; os autores chamam a análise de exploratória
Baz-Valle et al. (2022)7 estudos com pessoas treinadas há pelo menos 1 ano, de 18 a 35 anos12 a 20 séries semanais contra mais de 20: sem diferença para quadríceps e bíceps; vantagem do volume alto para trícepsPoucos estudos; conclusão restrita a homens jovens treinados

O que é “volume lixo”?

“Volume lixo” é o nome que uso para séries que entram na conta mas pouco estimulam o músculo: feitas com carga leve demais para o número de repetições, ou encerradas muito antes do limite. Elas somam cansaço e tempo de treino sem somar o mesmo estímulo. A análise de Robinson dá base para essa ideia, porque a hipertrofia aumentou à medida que as séries terminavam mais perto da falha.

Proximidade da falha costuma ser medida em repetições na reserva: quantas repetições com boa técnica você ainda conseguiria fazer quando parou. Um sinal prático de que você está perto de zero é a queda de velocidade nas últimas repetições, mesmo fazendo força máxima. Se a última repetição sai tão rápida quanto a primeira, provavelmente sobraram várias na reserva.

Estimar repetições na reserva não é exato: em média, as pessoas erram por cerca de uma repetição. Para entender a escala, quanto se erra e como calibrar a sua estimativa, veja o que é RIR e como saber se você está treinando perto da falha.

Como contar as séries da sua semana?

Conte as séries por músculo, somando os dias da semana, e dê peso menor às séries em que o músculo só ajuda. O trabalho de Pelland testou formas de contar e a que melhor explicou os resultados foi a “fracionada”: série direta conta 1, série em que o músculo trabalha de forma indireta conta 0,5.

ExercícioConta 1 paraConta 0,5 para
Supino, flexãoPeitoTríceps, deltoide anterior
Remada, puxadaCostasBíceps
Agachamento, leg pressQuadríceps, glúteos—
Levantamento terra, stiffPosteriores de coxa, glúteosCostas (eretores)
DesenvolvimentoDeltoide anteriorTríceps

A tabela é uma simplificação para contar, não uma lista de músculos ativados. A divisão exata depende da execução.

Então existe um número certo de séries?

Não existe um número que sirva para todo mundo. As faixas que aparecem nos estudos, como 12 a 20 séries semanais por músculo na revisão de Baz-Valle, são médias de grupos de pessoas jovens, a maioria homens, já treinados, acompanhados por algumas semanas. Elas servem para entender a ordem de grandeza, não como meta individual.

Quem está começando tem outro ponto de partida: o desafio é manter a rotina, não maximizar o volume. Para isso, veja como montar uma rotina de treino sustentável para iniciantes. Quem tem lesão, dor articular, condição de saúde ou volta de um período parado precisa de avaliação com profissional de Educação Física, e com médico quando for o caso.

Como avaliar o volume do seu treino

  1. Anote as séries por músculo

    Some a semana inteira, com as séries indiretas valendo meia. Muita gente descobre que treina um músculo bem mais, ou bem menos, do que imaginava.

  2. Estime as repetições na reserva da última série

    Ao terminar, pergunte: quantas repetições com boa técnica ainda sairiam? Se a resposta costuma ser "muitas", o problema não é falta de séries.

  3. Acompanhe carga e repetições

    Se elas sobem ao longo das semanas, o treino está funcionando. Se pararam, olhe primeiro o esforço e a recuperação, depois o volume. Descanso curto demais entre as séries também derruba as repetições: veja [quanto descansar entre as séries](/artigos/descanso-entre-series/).

  4. Observe a recuperação

    Desempenho caindo de uma semana para outra, sono pior e dor articular são sinais de que o total ficou alto para a sua recuperação atual.

  5. Mude uma coisa de cada vez

    Mais séries, mais esforço ou mais carga: mudar tudo junto impede de saber o que funcionou.

Perguntas frequentes

Fazer mais de 20 séries por semana para um músculo é perda de tempo? Não necessariamente. A revisão de Baz-Valle não encontrou diferença entre 12 a 20 e mais de 20 séries para quadríceps e bíceps, mas encontrou vantagem do volume alto para tríceps. Como o retorno de cada série diminui, volumes muito altos cobram mais tempo e recuperação por um ganho extra menor.

Preciso ir até a falha em todas as séries? Os dados de Robinson mostram mais hipertrofia com séries mais próximas da falha, mas os autores tratam a análise como exploratória. Terminar perto da falha, com técnica mantida, não é o mesmo que falhar em toda série, e o cansaço acumulado afeta as séries seguintes.

Treinar cada músculo duas vezes por semana dá mais resultado? Para hipertrofia, com o mesmo volume total, a frequência teve efeito pequeno a desprezível na análise de Pelland. Dividir as séries em mais dias pode ajudar a manter a qualidade, mas o total e o esforço pesam mais.

Série de aquecimento conta no volume? Não. Os estudos contam séries de trabalho, feitas com esforço real. Séries leves de aquecimento preparam para a carga, mas não entram na soma.

Esses números valem para mulheres? Os estudos incluíram mulheres, mas em menor número: no trabalho de Pelland, cerca de 21% dos participantes. A direção dos resultados não indica regra diferente, mas a evidência é mais forte para homens jovens.

Conteúdo informativo, escrito para o público em geral. Ele não avalia o seu caso, não substitui consulta e não deve ser usado para interromper ou iniciar tratamento por conta própria.

Fontes consultadas

  1. Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass: A systematic review and meta-analysis (Schoenfeld, Ogborn e Krieger, 2017) — Journal of Sports Sciences
  2. The Resistance Training Dose Response: Meta-Regressions Exploring the Effects of Weekly Volume and Frequency on Muscle Hypertrophy and Strength Gains (Pelland et al., 2025) — Sports Medicine
  3. Exploring the Dose-Response Relationship Between Estimated Resistance Training Proximity to Failure, Strength Gain, and Muscle Hypertrophy (Robinson et al., 2024) — Sports Medicine
  4. A Systematic Review of The Effects of Different Resistance Training Volumes on Muscle Hypertrophy (Baz-Valle et al., 2022) — Journal of Human Kinetics
Estiven Uryu sorrindo de regata branca e fones de ouvido na academia, fazendo o sinal de paz.

Sobre quem escreveu

Estiven Uryu

Formado em Engenharia da Computação e estudante de Educação Física. Atleta de fisiculturismo na categoria Men's Physique Master, trabalhou com venda de suplementos e representação comercial antes de atuar com tecnologia. Escreve sobre treino, alimentação e suplementos a partir da própria experiência e dos estudos. Não é nutricionista nem médico: os textos são educativos e não substituem avaliação profissional individual.

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