Pular para o conteúdo
Treino e hábitos

Amplitude completa ou parcial? O que os estudos mostram

Meia repetição dá menos resultado? Veja o que 7 estudos encontraram sobre amplitude completa, parcial em cima e parcial na parte alongada do movimento, com tabela, gráfico e exemplos.

Por Estiven Uryu
Atleta no ponto mais baixo de um agachamento profundo com a barra nas costas, numa academia comum com espelhos e outros frequentadores desfocados ao fundo.
Imagem ilustrativa gerada com IA no Canva para o Estiven4Fit. Não retrata o autor.
O que você vai encontrar aqui
  1. O que é “parcial na parte alongada”?
  2. O que os estudos mostram?
  3. Meio agachamento dá menos resultado?
  4. E se eu não consigo fazer o movimento completo?
  5. Como olhar a amplitude no seu treino
  6. Perguntas frequentes

Os estudos favorecem treinar passando pela parte do movimento em que o músculo está alongado. A amplitude completa faz isso e, numa meta-análise de 16 estudos, deu mais força e mais hipertrofia nas pernas do que a parcial (Pallarés, 2021). A parcial feita só no trecho alongado, como descer bem e não subir até o fim, teve resultado parecido com a completa nos estudos mais recentes. A que fica para trás é a meia repetição feita na parte de cima, onde o músculo está encurtado.

A amplitude é um dos pilares do guia do aluno do Team Garcia, de João Pedro Garcia, que inspirou esta série de artigos.

O que é “parcial na parte alongada”?

É fazer só o trecho do movimento em que o músculo está mais esticado. Todo exercício tem um ponto em que o músculo trabalhado fica alongado e outro em que ele fica encurtado:

ExercícioMúsculo mais alongadoMúsculo mais encurtado
AgachamentoEmbaixo, quadril e joelhos dobrados (glúteo e adutores)Em pé
Rosca diretaBraço estendido (bíceps)Peso perto do ombro
Panturrilha em péCalcanhar abaixo da linha do degrauNa ponta dos pés
Cadeira extensoraJoelho dobrado (quadríceps)Perna esticada
SupinoBarra ou halteres perto do peito (peitoral)Braços estendidos

Quem faz “meia repetição” quase sempre corta a parte alongada: para de descer cedo no agachamento, não estende o braço na rosca, não deixa o calcanhar descer na panturrilha. É justamente o trecho que os estudos apontam como o mais importante.

O que os estudos mostram?

EstudoQuem e o quêO que encontrou
Pallarés et al. (2021)Meta-análise de 16 estudosCompleta deu mais força (ES 0,56) e mais hipertrofia nas pernas (ES 0,88) que a parcial
Kubo et al. (2019)17 homens, agachamento completo × meio agachamento, 10 semanasGlúteo máximo: +6,7% no completo e +2,2% no meio. Adutores: +6,2% e +2,7%. Quadríceps: parecido (+4,9% e +4,6%)
Maeo et al. (2021)20 adultos, mesa flexora sentada × deitada, 12 semanasPosterior de coxa cresceu +14% na sentada, em que o músculo fica mais alongado, e +9% na deitada
Pedrosa et al. (2022)45 mulheres iniciantes, cadeira extensora com amplitudes diferentesA parcial com o joelho mais dobrado cresceu mais em algumas regiões da coxa que a completa e a parcial com a perna esticada
Kassiano et al. (2023)42 mulheres jovens, panturrilha, 8 semanasGastrocnêmio medial: +15,2% na parcial alongada, +6,7% na completa e +3,4% na parcial encurtada
Wolf et al. (2025)30 pessoas treinadas, membros superiores, 8 semanasParcial alongada e completa deram ganhos parecidos de espessura muscular
Gschneidner et al. (2025)297 pessoas em 15 locais, braço e coxa, 12 semanasDiferença pequena entre parcial alongada e completa; os autores a consideram praticamente equivalente

ES é o tamanho do efeito: quanto maior, maior a vantagem do grupo. Acima de 0,8 costuma ser considerado grande.

O estudo da panturrilha mostra bem a diferença entre os três jeitos de fazer o mesmo exercício:

Aumento da espessura do gastrocnêmio medial em 8 semanas de panturrilha. Fonte: Kassiano et al., 2023, com 42 mulheres jovens.

Um estudo só, com panturrilha e mulheres jovens, não permite dizer que a parcial alongada é melhor que a completa em todo exercício. Os estudos maiores e com pessoas treinadas, como o de Gschneidner, com quase 300 participantes, encontraram as duas praticamente empatadas. O ponto em comum de todos é outro: o trecho alongado precisa estar no movimento.

Meio agachamento dá menos resultado?

Para glúteo e adutores, deu. No estudo de Kubo e colegas (2019), o agachamento completo fez o glúteo máximo crescer cerca de três vezes mais que o meio agachamento. Para o quadríceps, os dois grupos cresceram parecido.

A força também seguiu a amplitude treinada. O grupo do agachamento completo melhorou 31,8% no agachamento completo, contra 11,3% do grupo do meio agachamento. No meio agachamento, os dois grupos melhoraram parecido. Em outras palavras, quem treina só meia amplitude fica mais forte só naquele trecho.

Por isso vale anotar a amplitude junto com a carga quando ela mudar. O artigo sobre como registrar o treino mostra o que mais entra no registro.

E se eu não consigo fazer o movimento completo?

Use a maior amplitude que você controla sem dor e sem perder a posição. Falta de mobilidade, uma lesão antiga ou desconforto numa articulação são motivos para conversar com um profissional de Educação Física ou com um fisioterapeuta, que podem trocar o exercício ou ajustar a posição. Dor aguda durante o movimento é sinal para parar.

A amplitude também não deve ser comprada com carga. Se descer mais exige tirar peso da barra, tire.

Como olhar a amplitude no seu treino

  1. Descubra onde o músculo alonga

    Use a tabela do começo: é o ponto em que o peso está mais longe de onde termina a subida.

  2. Confira se você passa por esse ponto

    Filme uma série de lado. Muita gente acha que desce tudo e para bem antes.

  3. Ajuste a carga, não a amplitude

    Se a repetição completa não sai com o peso atual, reduza o peso até sair.

  4. Mantenha o mesmo padrão toda semana

    Mudar a amplitude muda o número de repetições e atrapalha a comparação com as semanas anteriores.

  5. Leve a série perto do limite

    Amplitude boa com esforço baixo também rende pouco. Veja como estimar o esforço no artigo sobre RIR e treino perto da falha.

Se você segue um plano montado por um profissional, as parciais podem fazer parte dele por um motivo específico, como reabilitação ou técnica. Nesse caso, siga o plano e tire as dúvidas com quem o montou.

Perguntas frequentes

Então devo fazer só parciais na parte alongada? Os estudos não mostram vantagem clara sobre a amplitude completa, que também passa pelo trecho alongado. Na maioria deles, as duas empataram. A completa ainda tem a vantagem de deixar você forte em todo o movimento.

Meia repetição no fim da série, depois de não aguentar mais, ajuda? Essa é uma pergunta diferente da deste artigo. Aqui os estudos compararam treinos inteiros com uma amplitude ou outra, não repetições extras depois da falha.

A amplitude conta para o número de séries da semana? Conta a série feita com esforço perto do limite, como explica o artigo sobre quantas séries por semana. A amplitude muda o quanto cada série estimula, não se ela entra na conta.

Esses resultados valem para iniciantes e para quem já treina? Há estudos com os dois públicos. Os de Pedrosa e Kassiano foram com mulheres que não treinavam, o de Wolf com pessoas treinadas. O padrão de dar valor ao trecho alongado apareceu nos dois casos.

Como sei se a mudança de amplitude está funcionando? Pelo mesmo jeito de acompanhar qualquer mudança: cargas e repetições ao longo das semanas, fotos e medidas. O artigo sobre como saber se o treino está funcionando explica como.

Conteúdo informativo, escrito para o público em geral. Ele não avalia o seu caso, não substitui consulta e não deve ser usado para interromper ou iniciar tratamento por conta própria.

Fontes consultadas

  1. Effects of range of motion on resistance training adaptations: A systematic review and meta-analysis (Pallarés et al., 2021) — Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports
  2. Effects of squat training with different depths on lower limb muscle volumes (Kubo et al., 2019) — European Journal of Applied Physiology
  3. Greater Hamstrings Muscle Hypertrophy but Similar Damage Protection after Training at Long versus Short Muscle Lengths (Maeo et al., 2021) — Medicine & Science in Sports & Exercise
  4. Partial range of motion training elicits favorable improvements in muscular adaptations when carried out at long muscle lengths (Pedrosa et al., 2022) — European Journal of Sport Science
  5. Greater Gastrocnemius Muscle Hypertrophy After Partial Range of Motion Training Performed at Long Muscle Lengths (Kassiano et al., 2023) — Journal of Strength and Conditioning Research
  6. Lengthened partial repetitions elicit similar muscular adaptations as full range of motion repetitions during resistance training in trained individuals (Wolf et al., 2025) — PeerJ
  7. The effects of lengthened-partial range of motion resistance training of the limbs on arm and thigh muscle area: A multi-site randomised trial (Gschneidner et al., 2025) — Journal of Sports Sciences
Estiven Uryu sorrindo de regata branca e fones de ouvido na academia, fazendo o sinal de paz.

Sobre quem escreveu

Estiven Uryu

Formado em Engenharia da Computação e estudante de Educação Física. Atleta de fisiculturismo na categoria Men's Physique Master, trabalhou com venda de suplementos e representação comercial antes de atuar com tecnologia. Escreve sobre treino, alimentação e suplementos a partir da própria experiência e dos estudos. Não é nutricionista nem médico: os textos são educativos e não substituem avaliação profissional individual.

Página profissional

Continue lendo